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CTB, CUT, Nova Central, Central dos Sindicatos Brasileiros, Intersindical, CSP-Conlutas, Força Sindical, UGT e Pública ampliam ofensiva sobre senadores para destravar PEC do fim da escala 6x1

Trata-se mais que mobilização política dos movimentos sociais e sindicais, com a nova fase da batalha pelo tempo de viver, cuja pauta insere-se em mobilizações para pressionar os senadores pela aprovação da PEC 221/19.


A luta pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6x1 entrou em etapa decisiva.

Após o avanço da proposta na Câmara dos Deputados, as principais centrais sindicais do País — CTB, CUT, Nova Central, Central dos Sindicatos Brasileiros, Intersindical, CSP-Conlutas, Força Sindical, UGT, Pública e outras entidades do Fórum das Centrais Sindicais — concentram agora esforços sobre o Senado Federal para garantir a aprovação da PEC 221.

Como parte dessa ofensiva, foi convocada para a próxima terça-feira (30), a Jornada Nacional de Mobilização, com atos em diversas capitais e cidades brasileiras. O principal objetivo é ampliar a pressão popular sobre os senadores e, especialmente, sobre a presidência da Casa, para que a proposta avance na pauta legislativa.

Para os organizadores, a disputa deixou de ser apenas reivindicação sindical e passou a representar um dos mais importantes debates sociais do País: quem deve se beneficiar dos ganhos de produtividade acumulados nas últimas décadas: os trabalhadores ou exclusivamente o capital.

Unidade rara do movimento sindical

A campanha reúne um dos mais amplos níveis de unidade do sindicalismo brasileiro desde a redemocratização do Brasil. Entidades historicamente distintas em termos ideológicos e políticos construíram agenda comum em torno da redução da jornada.

CTB, CUT, Nova Central, Central dos Sindicatos Brasileiros, Intersindical, CSP-Conlutas, Força Sindical, UGT e Pública vêm atuando conjuntamente na elaboração de estratégias de mobilização, produção de estudos técnicos, articulação parlamentar e organização de manifestações nacionais.

A avaliação compartilhada pelas centrais é que a jornada semanal de 44 horas, estabelecida pela Constituição de 1988, tornou-se incompatível com a realidade tecnológica e produtiva do século 21.

Segundo as entidades, enquanto a automação, a digitalização e os avanços organizacionais elevaram significativamente a produtividade, os benefícios desse processo não foram distribuídos aos trabalhadores na forma de redução do tempo de trabalho.

Pressão organizada sobre os senadores

Além das manifestações de rua, as centrais definiram ampla agenda institucional para os próximos dias.

O plano inclui reuniões com lideranças partidárias, visitas aos gabinetes dos senadores nos estados, audiências públicas, articulação com as bancadas regionais e reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

As entidades também intensificaram campanhas digitais para estimular o contato direto da população com os parlamentares. Uma das ferramentas utilizadas é a plataforma Na Pressão, que permite o envio de mensagens, e-mails e manifestações pelas redes digitais aos integrantes do Senado.

A estratégia busca reproduzir a mobilização que ajudou a impulsionar a tramitação da proposta na Câmara, convertendo apoio social em pressão política permanente.

Centrais ampliam ofensiva

A CTB tem sido uma das principais articuladoras da campanha nacional. O vice-presidente da central, Ubiraci Dantas de Oliveira, defende que a aprovação da PEC representa conquista histórica da classe trabalhadora e oportunidade de adequar a legislação brasileira às transformações do mundo do trabalho.

A CUT vem mobilizando suas estruturas estaduais e setoriais para ampliar a participação popular nos atos de rua e nas ações de convencimento dos parlamentares.

A Nova Central e a CSB concentram esforços nas bases sindicais nos estados, fortalecendo o diálogo com senadores e lideranças regionais.

A Intersindical e a CSP-Conlutas têm destacado o caráter estrutural da proposta, argumentando que a redução da jornada constitui medida fundamental para enfrentar a precarização do trabalho, o adoecimento laboral e os efeitos da intensificação produtiva observados nos últimos anos.

Apesar das diferenças políticas existentes entre as organizações, o consenso é que a aprovação da PEC poderá representar a mais significativa conquista trabalhista desde a Constituição de 1988.

Mais empregos, saúde e qualidade de vida

As centrais sustentam que a redução da jornada não deve ser vista apenas como direito trabalhista, mas como instrumento de desenvolvimento econômico e social.

Os estudos apresentados pelas entidades apontam que a diminuição do tempo de trabalho pode favorecer a geração de empregos, reduzir a subocupação e melhorar os índices de saúde física e mental da população trabalhadora.

Outro argumento central envolve os impactos sobre a saúde ocupacional. As organizações sindicais afirmam que jornadas extensas e ritmos intensificados de trabalho estão diretamente associados ao aumento do estresse, da exaustão física, dos acidentes laborais e dos afastamentos por adoecimento.

A pauta também possui forte dimensão de gênero. Segundo as centrais, a redução da jornada pode contribuir para divisão mais equilibrada das responsabilidades familiares e domésticas, historicamente concentradas sobre as mulheres.

Disputa sobre o futuro do trabalho

Para os defensores da PEC 221/19, a discussão vai muito além da simples redução de horas semanais. O que está em debate é o modelo de desenvolvimento adotado pelo País diante das profundas mudanças tecnológicas que transformam as relações de trabalho.

As centrais argumentam que a produtividade gerada pelas novas tecnologias deve ser compartilhada com quem produz a riqueza nacional. Nessa perspectiva, reduzir a jornada significa ampliar o acesso ao lazer, à educação, à qualificação profissional, à convivência familiar e à participação cidadã.

Por isso, os atos de 30 de junho são vistos pelas entidades não apenas como mobilização sindical, mas como demonstração nacional de força em defesa de nova organização do trabalho no Brasil.

A expectativa é que a pressão das ruas, somada à articulação institucional das centrais, acelere a tramitação da proposta e transforme o Senado no próximo palco de uma das mais relevantes disputas sociais e trabalhistas da atualidade.

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