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Neuriberg Dias*

As eleições proporcionais de 2026 no Distrito Federal devem ocorrer em um ambiente de forte desgaste do atual grupo governista, associado à gestão de Ibaneis Rocha e de Celina Leão, atual governadora em exercício da capital federal.

            Fora de cena, em meio ao desgaste provocado por investigações, Ibaneis deixa uma herança que tende a ser explorada nas campanhas distrital e federal e que pode influenciar a governabilidade. Ainda assim, a expectativa predominante é de baixa renovação tanto na Câmara Legislativa quanto na bancada federal do DF.

A seguir, apresento um diagnóstico sobre os partidos e suas chances eleitorais, considerando os resultados das eleições de 2022. A projeção parte da hipótese de que a disputa ocorresse com os mesmos candidatos e o mesmo desempenho eleitoral dos partidos, incorporando, porém, o novo arranjo decorrente das fusões partidárias, da janela partidária e da formação de novas federações.

Encerrado o prazo das convenções partidárias, o DIAP divulgará um prognóstico completo, com base em uma avaliação mais detalhada das candidaturas e do potencial de cada partido para eleger seus representantes.

            Novas regras

Antes de apresentar os cenários para a Câmara Distrital e Federal, é preciso considerar que a conversão de votos em cadeiras nas eleições de 2026 em relação as regras eleitorais devem levar em consideração:  

1) criação de novas federações, além das fusões entre partidos;

2) limite de candidaturas a 100% das vagas mais um para cada partido ou federal; e

3) mudanças sobre a distribuição das sobras eleitorais – 80/20, com novo entendimento do TSE, sendo agora observado três etapas para ocupação das cadeiras tanto na Câmara distrital e federal:

1º distribuição para os partidos e candidatos (10% Votos Válidos) que atingem o quociente;

2º distribuição das sobras para os partidos e candidatos que obtiverem 80% e 20% do quociente eleitoral; e

3º distribuição quando o critério anterior não for cumprido, o cálculo das sobras será feito para todos os partidos, eleito o com maior média.

            Deputados Distritais

A Câmara Legislativa do Distrito Federal é composta atualmente por 24 deputados distritais. A tabela a seguir apresenta a situação de cada parlamentar em relação à disputa eleitoral de 2026, indicando se buscará a reeleição ou se pretende concorrer a outro cargo:

Nome do Candidato

Partido

Votação 2022

Situação

1

Chico Vigilante

PT

43.854

Reeleição

2

Daniel Donizet

MDB

33.573

Deputado Federal

3

Dayse Amarilio

PSB

11.012

Reeleição

4

Doutora Jane

Republicanos

19.006

Reeleição

5

Eduardo Pedrosa

União Brasil

22.489

Reeleição

6

Fábio Felix

PSOL

51.792

Deputado Federal

7

Gabriel Magno

PT

18.063

Reeleição

8

Hermeto

MDB

20.332

Reeleição

9

Iolando

MDB

20.757

Reeleição

10

Jaqueline Silva

MDB

26.452

Reeleição

11

João Cardoso

PL

17.579

Reeleição

12

Joaquim Roriz Neto

PL

21.057

Reeleição

13

Jorge Vianna

Democratas

30.640

Reeleição

14

Martins Machado

Republicanos

31.993

Reeleição

15

Max Maciel

PSOL

35.758

Reeleição

16

Pastor Daniel de Castro

PP

20.402

Reeleição

17

Paula Belmonte

PSDB

17.208

Governo

18

Pepa

PP

15.393

Reeleição

19

Ricardo Vale

PT

17.077

Reeleição

20

Robério Negreiros

Podemos

31.341

Reeleição

21

Rogério Morro da Cruz

PSD

18.207

Reeleição

22

Roosevelt Vilela

PL

20.223

Reeleição

23

Thiago Manzoni

PL

25.554

Deputado Federal

24

Wellington Luiz

MDB

16.933

Reeleição

Neste pleito de 2026, a tentativa de reeleição predomina entre os atuais deputados distritais. Dos 24 parlamentares, quatro não devem concorrer novamente ao cargo: Fábio Felix (PSOL), Thiago Manzoni (PL) e Daniel Donizet (MDB) vão pleitear uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto Paula Belmonte (PSDB) deve disputar o Governo do DF. Em 2022, dos 18 deputados distritais que buscaram a reeleição, 12 foram reeleitos, o que representou renovação de metade da Câmara Legislativa do DF.

Partidos competitivos

Para um partido ou federação ter direito a uma vaga foram necessários nas eleições de 2022 obter 69.271 votos válidos. Das 24 vagas, 15 foram distribuídas inicialmente pelo quociente eleitoral e as nove demais pela regra de sobras.

Se as eleições de 2022 tivessem sido disputadas com os mesmos candidatos e respectivo desempenho dos partidos a projeção com o arranjo das fusões partidárias, janela partidária e a formação de novas federações o resultado teria sido este:

Partido / Federações

Bancada eleita (2022)

Bancada atual

Cenário atual - 2026

PL

4

4

4

PT/PCdoB/PV

3

3

3

MDB

3

3

3

PP/UB

3

3

4

AGIR

2

2

2

PSOL/REDE

2

2

2

PSD

2

2

0

AVANTE

1

1

0

PSDB/CIDADANIA

1

1

1

MOBILIZA

1

1

1

PSB

1

1

1

REPUBLICANOS

1

1

1

NOVO

0

0

0

PRD

0

0

1

PDT

0

0

0

DEMOCRATA

0

0

0

PODEMOS

0

0

1

PRTB

0

0

0

SOLIDARIEDADE

0

0

0

Total

24

 

24

 

Fonte: DIAP

         

            Com base nesses critérios, seis partidos ou federações aparecem em vantagem para ocupar cerca de 80% das cadeiras da CLDF.

            O PSD, seria o partido que mais perderia na composição da Câmara. Isso ocorrer porque os deputados distritais Robério Negreiros (31.341 votos) que deixou o PSD e migrou para o Podemos; e Jorge Vianna (30.640 votos) que também saiu do PSD e filiou ao Democrata.

            Também mudou de sigla fora os deputados distritais João Cardoso (17.579 votos) que saiu do Avante e se filiou ao PL e a deputada Paula Belmonte que deixou o Cidadania e se filiou ao PSDB em dezembro de 2025, candidata ao governo do DF.

Deputados Federais

Nas eleições federais para deputado federal o DF possui 8 cadeiras, ocupadas atualmente pelos deputados: Alberto Fraga (PL), Bia Kicis (PL), Erika Kokay (PT), Fred Linhares (Republicanos), Júlio Cesar (Republicanos), Prof. Reginaldo Veras (PV), Rafael Prudente (MDB), Rodrigo Rollemberg (PSB). Somente as deputadas Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT) não disputa a reeleição e tentarão uma das duas vagas do Senado Federal.

Para um partido ou federação ter direito a uma vaga foram necessários nas eleições de 2022 obter 200.940 votos válidos. Das oito vagas, três foram distribuídas inicialmente pelo quociente eleitoral e as cinco demais pela regra de sobras.

Na hipótese de as eleições terem sido disputadas com os mesmos candidatos e com o mesmo desempenho eleitoral dos partidos em 2022, mas considerando o novo arranjo decorrente das fusões partidárias, da janela partidária e da formação de novas federações, o PSB perderia uma cadeira.

Nesse cenário, a federação PP/União Brasil conquistaria uma cadeira na distribuição das sobras. No entanto, a bancada do PSB deverá disputar a eleição com uma nominata mais competitiva, o que pode alterar essa projeção e reduzir as chances de perda da vaga.

Partido / Federações

Bancada eleita (2022)

Bancada atual

Cenário Atual - 2026

REPUBLICANOS

3

2

2

PT/PCdoB/PV

2

2

2

PL

2

2

2

MDB

1

1

1

AGIR

0

0

0

AVANTE

0

0

0

DC

0

0

0

PSDB/CIDADANIA

0

0

0

PSOL/REDE

0

0

0

NOVO

0

0

0

PATRIOTA

0

0

0

PDT

0

0

0

MOBILIZA

0

0

0

PODEMOS

0

0

0

PP/UB

0

0

1

PSB

0

1

0

PSD

0

0

0

SOLIDARIEDADE

0

0

0

Fonte: DIAP

Na expectativa geral, ressalvada um impacto do caso Master sobre a base do atual governo, os desistentes a reeleição à Câmara Distrital e Federal, que postulam outros cargos, e os nomes de candidato que tentam retornar a política, em especial, ex-governadores, nomes de fora do Estado e as coligações ao governo de Estado, o quadro atual favorece a uma renovação menor nos legislativos.

*Jornalista, Analista Político e Diretor de Documentação do DIAP

Link: Radiografia da Câmara Legislativa do Distrito Federal - 2022

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