O salário-mínimo no próximo governo
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Luciano Fazio*
Os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro têm propostas diferentes em relação ao valor do salário mínimo (SM), atualmente fixado em R$ 1.621,00.
Lula assegura a manutenção da atual política de valorização. Além de ser reajustado pela variação acumulada do INPC, para preservar o poder de compra, o SM terá também um aumento real sempre que houver crescimento positivo do PIB, conforme a regra vigente. Para Lula, um país rico é aquele em que os mais pobres melhoram de vida junto com o crescimento econômico do país.
Já Flávio Bolsonaro não garante a manutenção da atual política de valorização do SM. Durante o governo de Jair Bolsonaro, pai dele, foi adotada a política de reajuste do salário mínimo apenas pela inflação, sem uma regra de aumentos reais. Em 2023, o senador Rogério Marinho, que hoje coordena a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, questionou a volta da política de valorização do Lula, argumentando que os aumentos do SM poderiam contribuir para o descontrole da inflação e prejudicar os trabalhadores.
A diferença das duas políticas fica evidente, quando calculamos os efeitos delas nos últimos 20 anos.
Entre janeiro de 2005 e janeiro de 2026, o salário mínimo passou de R$ 260,00 para R$ 1.621,00. Essa evolução deve-se à política de valorização do SM, adotada pelos governos Lula e Dilma. Essa política não só preserva o poder de compra dos trabalhadores, mas também proporciona aumentos reais, contribuindo para a redução da desigualdade econômica.
Se, ao longo desse período, tivesse havido somente a correção pela inflação, sem aumentos reais, o SM de janeiro de 2026 seria de R$ 800,17, em vez dos R$ 1.621,00 efetivamente em vigor. Isso representaria R$ 820,83 a menos por mês — ou seja, menos da metade do valor atual.
Em outras palavras, se - ao longo de todos esses 20 anos - tivesse vigorado a política de reajuste do governo Jair Bolsonaro, o salário mínimo não teria tido ganhos de poder de compra. Milhões de brasileiros teriam recebido valores muito menores. Com efeito, estima-se que hoje:
35,2 milhões de aposentados brasileiros recebam benefícios de até um salário mínimo;
34,6 milhões de trabalhadores ganhem até um salário mínimo;
6,5 milhões de beneficiários de prestações assistenciais recebam um salário mínimo por mês.
Viver com o salário mínimo de R$ 1.621,00 já é dureza.
Imagine, então, se ele hoje valesse somente R$ 800,17!
(*) Matemático pela Università degli Studi de Milão/Itália, especialista em Previdência pela FGV e autor do livro "O que é previdência do servidor público", Ed. Loyola, 2020.
