Notas da Floresta Digital – Geopolítica e Desenvolvimento Tecnológico em Tempos de Transição
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O livro que explica como o Brasil perdeu — e pode retomar — sua soberania tecnológica
Servidor público e jornalista, James Görgen reúne quatro anos de análises sobre o poder das big techs e propõe um programa de refundação digital para o país
O Brasil é o segundo maior mercado de redes sociais do mundo e um dos maiores usuários de inteligência artificial do planeta. Mas não fabrica, não treina e não controla praticamente nada da tecnologia que hoje organiza o trabalho, a comunicação e a vida política dos brasileiros. É desse paradoxo que parte Notas da Floresta Digital — Geopolítica e Desenvolvimento Tecnológico em Tempos de Transição (Edição do Autor, 2026), de James Görgen.
Fruto de quase uma centena de artigos publicados entre 2023 e 2026 na imprensa, o livro sustenta uma tese direta: o digital deixou de ser um setor entre outros e virou a infraestrutura sobre a qual repousam a economia, a cultura, a segurança e a própria democracia. Quem não controla essa infraestrutura não exerce soberania plena sobre nada do que ela sustenta.
Görgen batiza de "sequestro silencioso" o processo pelo qual o país passou a exportar dados e importar inteligência sem perceber o tamanho da troca. As big techs exercem hoje, segundo ele, um "monopólio total" — uma diferença de espécie, e não de grau, em relação aos velhos trustes uma vez que controlam ao mesmo tempo cabos, nuvens e data centers e os fluxos de informação que definem o que bilhões de pessoas leem, consomem e em quem votam. O resultado é um colonialismo digital em que o Sul Global entra com a matéria-prima — nossos dados — e compra de volta o produto pronto, em dólar.
O livro, porém, não para na denúncia. Para o autor, uma "tempestade perfeita" — a bolha financeira da IA, a ofensiva comercial de Trump contra o Pix e a decisão da OCDE que destravou a tributação das plataformas — abriu uma janela rara para a "refundação" que repousa em na receita de taxar as gigantes, tratar dados como ativos estratégicos, financiar tecnologia nacional e reconstruir o Estado digital. Soberania, insiste, não é isolamento mas "a capacidade de escolher o que se domina, auditar o que se contrata e interoperar sob regras claras". Uma agenda que pode valer para todo o Sul Global.
Natural de Porto Alegre, James Görgen é jornalista, mestre em economia política da comunicação e acompanha a agenda digital desde 1998. Militou na luta pela democratização da comunicação e ajudou a construir a plataforma Donos da Mídia, idealizada por Daniel Herz. Servidor federal desde 2009, passou pelos ministérios da Cultura, das Comunicações e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, atuou nos desdobramentos do caso Snowden no Brasil e na regulamentação do Marco Civil da Internet, e integrou a primeira equipe de inovação digital da FAO, agência da ONU, em Roma. Hoje vive com a família em Buenos Aires.
Serviço: Notas da Floresta Digital, James Görgen, Edição do Autor, 2026. Disponível para compra na Amazon.com
Os artigos do autor estão disponíveis gratuitamente em florestadigital.tec.br.
